Precato, fintech de antecipação de precatórios, quintuplicou sua equipe desde a fundação e cresce apoiada em talentos locais
São Paulo, setembro de 2026 –
Itabira, cidade do interior de Minas Gerais com população estimada em mais de 118 mil pessoas, cresceu em volta da mineração como uma de suas principais fontes de desenvolvimento e renda. A atividade mineral é responsável por mais de 80% da receita municipal, segundo a Prefeitura, e ainda sustenta cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos na cidade. Ao mesmo tempo, o município já olha para o longo prazo: o horizonte projetado para o esgotamento das minas, hoje estimado em 2053, faz parte do planejamento da cidade para ampliar suas fontes de emprego, renda e desenvolvimento. Uma das realidades mais consolidadas dessa transição na cidade é a Precato, fintech especializada na antecipação de precatórios e RPVs. Fundada em 2019 em Itabira, a empresa já cresceu mais de cinco vezes em número de funcionários desde o início das operações, mantendo cerca de nove em cada dez colaboradores baseados no próprio município. Mesmo após abrir filial em São Paulo, em 2025, a Precato mantém sua sede na cidade e conecta, a partir dali, escritórios de advocacia de todo o país, numa operação que já intermediou mais de R$ 1,8 bilhão.
A busca por novas opções econômicas dentro do município ganha relevância diante de um passado moldado pelo minério. A relação entre a cidade e a mineração remonta à década de 1940 e formou boa parte da economia, da identidade e do mercado de trabalho local. Desde então, a data prevista para o esgotamento das minas mudou ao longo do tempo: em 2019, documentos enviados à Bolsa de Valores de Nova York projetavam o fim da extração para 2028; o relatório seguinte, de 2022/23, ampliou o horizonte para 2041; e o mais recente, de 2025, estendeu a previsão para 2053. Nos últimos anos, a cidade passou a discutir caminhos para ampliar suas frentes de desenvolvimento econômico, incluindo iniciativas como o programa “Itabira Sustentável”, da Prefeitura, que reúne 61 projetos em áreas como educação, saúde, mobilidade e diversificação industrial.
Talento que nasce na cidade
Esse movimento de diversificação econômica também aparece na trajetória de empresas que escolheram a cidade como base de suas operações, como a Precato. A empresa construiu sua trajetória no município com crescimento apoiado na formação de talentos locais. Parte da liderança da empresa passou pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), que mantém campus na cidade desde 2008. Hoje, 17 gestores e sócios da Precato são formados pela instituição, que também mantém 11 estagiários da UNIFEI atuando na empresa.
“A gente sempre olhou para aquela universidade pensando: ali tem talento formado bem perto de casa. Desde os primeiros anos, trouxemos jovens da UNIFEI para crescer com a gente. Queremos continuar sendo um caminho profissional concreto para quem se forma em Itabira”, afirma Bruno Guerra, co-CEO e cofundador da Precato.
“Cresci em Itabira sabendo que o caminho era a mineração. Era o plano de quase todo mundo, inclusive o meu”, afirma Matheus Alvarenga, sócio e diretor de operações da Precato. “Fiz estágio no setor com 18 anos e saí sabendo que não era o que eu queria. Precisei começar a enxergar outras coisas”, diz. Antes de ajudar a construir a Precato ao lado de Guerra e do cofundador André Sana, Alvarenga já liderava equipes na Compacta, outra empresa do grupo dos sócios. “Com 20 anos já liderava minha primeira equipe”, lembra.
Com uma estrutura que conecta escritórios de advocacia de todo o país à sua sede mineira e mais de 7 mil clientes atendidos no Brasil, a Precato pretende seguir crescendo a partir de Itabira. “Nossa história mostra que é possível construir uma operação nacional sem sair da cidade. Isso significa gerar emprego qualificado, aproveitar talentos locais e abrir novos caminhos econômicos para Itabira nos próximos anos”, diz Bruno Guerra.